sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bar Verde

O pedreiro Vargas
mais conhecido como Ceará
não poupa sua grana nos fins de tarde
come e bébe sem cerimônias

Trocado suado no bolso
por vezes amassado
mas um luxo

Unha roxa
banha frita no aquecedor
seresteiro passado
a prosa diluída
entoada encharcada

Os artistas são o tal violão empenado
e o negro segurando um copo na gambiarra,
ele caiu da bicicleta semana passada
e quebrou os dois braços

sábado, 7 de maio de 2011

Vinciana Inflamada


Duas pregas móveis
dotadas de grandes cílios

suas pálpebras

expressão mista
de indiferença e deboche...


Morena afoita
de mãos cadavéricas
taciturna

(...)
Em noites dantescas
grandes filas para o banheiro
meninas no pretérito
baforadas
olhares esfarelados
provincianos
e aquele peso nas entranhas

(…)
No fim da sessão
taquicardias em motéis baratos
discorrendo em compulsivos tragos
o coma sentimental